quinta-feira, 29 de setembro de 2011

AS DUAS ESPADAS

No Evangelho de Mateus capítulo 10, versículos 1 a  10, Jesus chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem e para curarem toda enfermidade e todo mal. E enviou-os a pregar o Reino de Deus, e a curar os enfermos.
E disse-lhes: Nada leveis convosco para o caminho, nem bordões, nem alforje, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas túnicas.
O Senhor Jesus Cristo, ao iniciar o seu ministério, escolheu entre os discípulos, doze apóstolos e lhes revestiu com virtudes e poder para expulsar demônios e curar toda enfermidade, porém ordenou-lhes que nada levassem pelo caminho, porque não havia necessidade do provimento para o sustento, nem tão pouco com quaisquer outras obrigações cotidiana, porque o Mestre lhes deu a garantia de que toda falta seria suprida, e certamente nada lhes faltaria, porque servimos a um Deus provedor.
E, depois disso, designou o Senhor ainda outros setenta e mandou-os adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir.
E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara. (Lucas 10.1...). E lhes enviou de dois em dois, e a ordenança permaneceu, que nada levassem pelo caminho.  E pelo nome do Senhor Jesus, expeliram demônios, curaram enfermos, realizaram obras maravilhosas e muitos milagres.   E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se sujeitaram  a nós.
Mas sua hora se aproximava, e, momentos antes de ser entregue aos homens para que se cumprissem as escrituras, o Senhor Jesus  chamou os doze  novamente e lhes  questionou dizendo:  (Lucas 22.35 a 38)
Quando vos mandei sem bolsa, alforje, ou alparcas, faltou-vos porventura alguma coisa? Eles responderam: Nada.
Disse-lhes, pois: Mas agora, aquele que tiver bolsa, tome-a, como também o alforje; e, o seu vestido, e o que não tem espada, venda e compre-a.
Porquanto vos digo que importa que em mim se cumpra àquilo que está escrito: E com os malfeitores foi contado. Porque o que está escrito de mim terá cumprimento. E eles disseram: Senhor, eis aqui duas espadas. E  Ele  lhes disse: Basta.
Apreciem a grandeza do poder e a infinita sabedoria do Senhor Jesus. No princípio do seu ministério, o Senhor ordenou aos seus obreiros que nada levasem pelo caminho.
E, quando o seu Reino aqui na terra já estava findando-se, reuniu novamente os seus discípulos, e lhes perguntou se haviam passado alguma necessidade durante a missão que lhes fora preceituada.
Eles responderam naturalmente que não. Mas Jesus já sabia que algum por desobediência, havia ignorado a ordenança que lhes fora imposta para que não levassem nada pelo caminho, tanto que Ele os advertiu severamente dizendo: Aquele que tiver bolsa, alforje, túnica, vende-os e compre espada. Alguém respondeu que já possuíam duas espadas, então Ele disse: Basta.
Mas porque o Senhor os mandou vender justamente os objetos que Ele havia ordenado que não levassem na missão, e comprassem espada?  E quando responderam que já possuíam duas espadas, Ele disse: Basta. Basta porque a ordem para comprar espada não era para todos, mas especificamente para os que não guardaram a sua palavra. Mesmo por que, Jesus não intencionava e nem precisava andar  com um grupo de pessoas armadas, pois Ele disse a Pilatos: O meu Reino não é deste mundo; se o meu Reino fosse deste mundo, lutariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas, agora, o meu Reino não é daqui.
Afirmou também, que poderia orar ao Pai e  Ele  lhe daria mais de doze legiões de anjos. Mas como, pois, se cumpririam as escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?
Em reflexão no início do nosso estudo, observamos que o Senhor os revestiu de virtudes e poder sobre os demônios e enfermidades, porém, havia uma condição para que essa unção permanecesse sobre eles: Guardar a palavra de Jesus, e alguém havia desprezado  o mandamento do Senhor, e possuía não só o que fora ordenado que não levassem, mas até espadas.
O Senhor conhece o coração dos seus, porém o pecado faz divisão, forma uma barreira entre a criatura e o Criador. E o desobediente havia perdido as virtudes do Senhor, então precisava  da espada para a sua própria defesa.
O exemplo da indisciplina está no comportamento e atitude ilícita de Judas Iscariotes, e a palavra relata que ele possuía bolsa e roubava tudo o que ali se colocava.
E hoje, existem pregadores afirmando que Jesus recebia ofertas, e que Judas era o tesoureiro entre os Apóstolos, mas a palavra o classifica por ladrão.
Além disso, o exemplo de Judas não pode ser adotado por ninguém  que tenha compromisso de servir a Deus, pois a palavra o chama filho da perdição.
Há relato na palavra, que na antiguidade um homem de Deus, o rei Davi,  também incorreu na desobediência e foi aconselhado pelo Senhor a adotar uma  espada.
É evidente que a desobediência de Davi não fora ao extremo do caráter de Judas, porem Davi, por desprezar a palavra do Senhor, fazendo mal diante dos seus olhos, tomou a mulher do guerreiro Urias para si, e grande foi a ira do Senhor sobre ele. Então disse o Senhor a Davi: Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste, e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para que te seja por mulher (II Samuel 12.10).
É oportuno recordar que a ordenança de Cristo para anunciar o seu Evangelho de graça, e não levar nada pelo caminho permanece, porque nenhuma palavra do Evangelho contraria essa ordenança; porém o que observamos hoje, são homens  insubordinando-se à palavra do Deus vivo, levando bagagem e tirando proveito da aspersão do sangue inocente de Jesus Cristo  na cruz do Calvário.
Ao receberem a ordenança para anunciar o Evangelho de Cristo, não levem nada pelo caminho, não possuam ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos; nem alforjes, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bordão, porque digno é o operário do seu alimento.
Segundo a palavra do Senhor Jesus, aconselhamos aos irmãos pregadores do Evangelho, a não sairem por aí tomando o que não lhes é permitido, antes ouçam a palavra do Senhor, para que no amanhã, não seja necessário como o desobediente Judas, também ser-lhes ordenado a comprar espada.
Não sejam imitadores de Judas Iscariotes, o qual por trinta moeda de pratas traiu ao Senhor e, nem aos homens corruptos que vendem o sacrifício de Jesus Cristo na cruz, por qualquer preço.
Na segunda carta de Paulo aos Coríntios 12.14-18, ele fez a seguinte declaração:   Eis que pela terceira vez estou pronto para ir ter convosco, e não vos serei pesado, pois que não busco o que é vosso mas sim a vós, porque não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais para os filhos. Porventura, aproveitei-me de vós por algum daqueles que vos enviei? Roguei a Tito, e enviei com ele um irmão. Porventura Tito se aproveitou de vós? Não andamos porventura no mesmo espírito, sobre as mesmas pisadas?
Eis o conselho e exortação do homem de Deus, para que nós o imitássemos, conforme ele foi imitador de Cristo em sua perfeição.
Quando em missão para realizar a obra por Cristo ordenada,  nunca foi pesado a ninguém, nem procurou buscar coisas alheias, mas a sua única preocupação sempre foi salvar almas para o Reino do Senhor Jesus Cristo, exemplificando em si mesmo,  a forma como deve andar o servo de Deus para fazer a vontade do seu Senhor.

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